Abastecer com gasolina adulterada pode causar danos ao veículo


Teste para comprovar quantidade de etanol na gasolina é obrigatória nos postos (Foto: Reprodução/ TV TEM)

O uso de gasolina adulterada pode causar sérios prejuízos nos veículos, segundo especialistas. Em Itapetininga (SP), uma das ‘vítimas’ da fraude foi o professor de educação física Leandro Augusto de Barros. Ele desconfiou que a gasolina usada no veículo era adulterada depois que o carro começou a falhar.

O problema ocorreu logo após abastecer o veículo em um posto da cidade. Preocupado, decidiu esvaziar o tanque em outro estabelecimento. Foi identificado que a cor do líquido estava escura e que a quantidade de água era maior do que deveria. “Eu tive que trocar o filtro do carro e todo combustível que eu tinha colocado. E tive que colocar combustível novamente”, reclama.

A recomendação dos especialistas é que o consumidor procure apenas postos de combustíveis de confiança para abastecer. No caso de dúvidas sobre o produto, os clientes podem pedir que os funcionários do posto façam um teste para comprovar a qualidade do combustível.

De acordo com o mecânico Ari Nunes de Almeida Júnior, o combustível adulterado pode provocar sérios danos ao veículo se usado com frequência. Ele conta que as primeiras peças que sofrem danificações são os bicos injetores e as velas de ignição. “O ponto inicial do veículo, o combustível sai da bomba do veículo, vai para o bico injetar para ter a faísca da vela. São as partes que mais trabalham com o combustível. Passando um tempo prejudicando o bico, as velas, esse combustível pode ocasionar de estragar a sonda da lâmina, depois o catalisador do veículo, que vai encharcando porque não terá uma queima boa. O motor é em um ponto extremo, pode acontecer de estragar”, explica.

Em muitos casos a adulteração é feita com o etanol. Isso acontece quando a quantidade de álcool na gasolina é maior do que a permitida pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), no caso, 25%.

Um teste simples e obrigatório caso haja dúvida, pode ser feito em qualquer posto de combustíveis para saber qual é a porcentagem de álcool existente na gasolina vendida. Em um recipiente de 100ml o frentista coloca metade de água e metade de gasolina. A gasolina não se mistura com a água, apenas o etanol. Então é só ficar de olho: se o líquido transparente (mistura do etanol com água) atingir 10ml, é a quantidade ideal, 25%. Caso o líquido transparente seja maior, o combustível é alterado.

Procon orienta consumidor a pedir nota fiscal da gasolina usada (Foto: Reprodução/ TV TEM)

Procon orienta consumidor a pedir nota fiscal da gasolina usada (Foto: Reprodução/ TV TEM)

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo em Itapetininga (Sincopetro), José de Mello Leonel Netto, diz que outra forma de evitar problemas é abastecer o veículo em postos da confiança do cliente. A denúncia em casos de adulteração também é importante. “Se a pessoa se sentir lesada, ela pode procurar a ANP, pelo site anp.gov.br, pode procurar o Procon e fazer valer o direito”, afirma.

O fiscal do Procon Rodrigo Rolim, explica que em Itapetininga as reclamações de combustível adulterado não são frequentes, e que isso prejudica o trabalho do órgão, já que funciona à base dessas denúncias. “Caso o consumidor desconfie que o combustível colocado no carro seja alterado, ele deve primeiramente pedir a nota fiscal que é comprovante que aquele combustível foi colocado no carro dele. Constatado o problema, o consumidor deve procurar uma oficina mecânica com funcionários que possam assinar um laudo, e posteriormente formalizar a reclamação no Procon e na ANP. Sem a denúncia não temos como saber onde está o problema”, diz.

Rolim afirma ainda que, caso o combustível adulterado tenha causado danos no veículo, o posto de combustível pode arcar com o prejuízo. “Comprovado que o problema surgiu devido a gasolina, o posto tem a obrigação de reparar o dano ao consumidor. Por isso é muito importante ter o laudo do mecânico e a nota fiscal. E também formalizar a reclamação nos órgãos de proteção.”

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